Fase 1: Antes — Planejamento, prevenção e preparação
A preparação é uma das ferramentas mais eficazes para proteger a vida diante de um tsunami. Em tsunamis de origem próxima, o tempo disponível para evacuar pode ser de apenas alguns minutos e é possível que as ondas cheguem antes que um alerta oficial seja emitido ou recebido.
Por essa razão, a preparação não deve começar quando a ameaça surgir. Ela deve ser realizada com antecedência, por meio do conhecimento do risco, da identificação de zonas seguras, do planejamento das rotas de evacuação, da preparação de suprimentos essenciais, da organização familiar e comunitária e da realização periódica de simulações.
Princípio fundamental: diante de um tsunami, a prioridade absoluta é salvar vidas. Nenhum objeto, veículo, documento, animal de estimação ou bem material justifica atrasar uma evacuação.
1.1Conhecer o risco do local onde você está
Toda pessoa que more, trabalhe, estude, esteja hospedada ou realize atividades em uma zona costeira deve verificar previamente se está dentro de uma área suscetível à inundação por tsunami.

Consultar os mapas oficiais
Identifique:
- as áreas oficialmente consideradas de ameaça ou inundação por tsunami;
- os limites das zonas de evacuação;
- as rotas oficiais de evacuação;
- as zonas altas ou áreas de segurança;
- os pontos de encontro estabelecidos pelas autoridades;
- os edifícios ou estruturas oficialmente designados para evacuação vertical, quando existirem;
- as rotas alternativas que possam ser utilizadas se a principal estiver bloqueada.
Como referência internacional de preparação, quando não houver informação local disponível, pode-se considerar como objetivo se dirigir a um local situado a aproximadamente 30 metros acima do nível do mar ou o mais distante possível do mar (para o interior). No entanto, essa referência não substitui os mapas oficiais de ameaça e evacuação de cada localidade.
Conhecer o entorno
Todas as pessoas do lar ou da instituição devem conhecer fisicamente as rotas de evacuação. Não basta observá-las em um mapa. Faça o percurso a pé e identifique:

Ruas e trilhas que conduzam a zonas altas.

Pontes, túneis ou passagens estreitas que possam ficar inutilizadas.

Muros, postes, árvores, placas, vidros, fachadas ou outros elementos que possam cair após um terremoto.

Setores suscetíveis a deslizamentos ou desmoronamentos.

Cursos d'água que devam ser evitados.

Possíveis rotas alternativas.

Obstáculos que possam dificultar o deslocamento de crianças, idosos ou pessoas com deficiência.
1.2Planejar uma evacuação principalmente a pé
O planejamento deve partir do pressuposto de que será necessário evacuar a pé. Depois de um terremoto, pode haver ruas danificadas, escombros, cabos caídos, congestionamentos, semáforos fora de serviço e vias bloqueadas. O uso em massa de automóveis pode gerar congestionamentos e atrasar tanto a própria evacuação quanto a de outras pessoas.
Por isso:
- Determine uma rota principal a pé;
- estabeleça pelo menos uma rota alternativa;
- saiba quanto tempo é necessário para cada percurso;
- adapte o ritmo ao integrante que se desloca mais lentamente;
- não planeje uma evacuação que dependa exclusivamente de um automóvel;
- pratique o percurso regularmente.
1.3Identificar previamente os sinais de evacuação
As pessoas devem se familiarizar com a sinalização existente em sua comunidade.
Aprenda a reconhecer sinais de:
Zona de Perigo ou Ameaça de Tsunami;
Rota de Evacuação por Tsunami;
Direção;
Zona Segura;
Ponto de Encontro;
Evacuação Vertical, quando houver.
1.4Planejar a evacuação vertical quando for aplicável
A evacuação horizontal para terrenos elevados e fora da zona ameaçada deve ser a opção prioritária sempre que puder ser realizada a tempo.
Quando não houver terreno elevado acessível ou quando o tempo disponível for insuficiente, algumas comunidades dispõem de estruturas especificamente avaliadas ou designadas para evacuação vertical.
Antes de uma emergência:

Identifique as estruturas oficialmente designadas para evacuação vertical;

conheça seus acessos;
determine quais escadas devem ser utilizadas;

descubra quais níveis estão estabelecidos como zonas de refúgio;

verifique se todos os membros da família ou da instituição sabem chegar até elas.
Quando não houver estruturas oficialmente designadas e for impossível abandonar a zona de ameaça, um edifício alto, robusto e de concreto armado pode constituir um recurso de último caso, mas sua utilização dependerá das características da ameaça e da estrutura.
Nunca espere a chegada do tsunami para decidir onde fará uma evacuação vertical.
1.5Reconhecer os alertas naturais
Um tsunami pode chegar antes de qualquer sirene, mensagem telefônica ou comunicado oficial. Por isso, todas as pessoas, inclusive as crianças, devem conhecer os principais sinais naturais.
Um terremoto forte ou prolongado

Se estiver perto da costa e sentir um terremoto muito forte ou suficientemente prolongado para parecer claramente anormal, considere que pode haver risco de tsunami.
Durante o movimento sísmico, primeiro proteja-se do terremoto. Quando puder se deslocar com segurança, prepare-se para evacuar imediatamente para uma zona segura.
Uma mudança repentina e anormal do nível do mar

- O mar pode recuar rapidamente e deixar expostos setores do fundo do mar, rochas, recifes ou animais.
- Também pode ocorrer o contrário: o nível da água pode aumentar repentinamente.
- Se observar um comportamento repentino e incomum do oceano, afaste-se imediatamente da costa.
- Nunca se aproxime para observar o fenômeno, tirar fotos, filmar, recolher peixes ou objetos, nem verificar pessoalmente se uma onda está chegando.
Um ruído estranho ou intenso vindo do mar
Um ruído muito forte vindo do oceano, frequentemente descrito como semelhante ao som de um trem ou de uma aeronave, pode constituir um sinal natural de tsunami.
1.6Conhecer os sistemas oficiais de alerta
Os sinais naturais e os alertas oficiais são complementares. Nenhum deles deve ser ignorado.
Antes de uma emergência, verifique quais sistemas são utilizados em sua localidade:
sirenes;
alertas de emergência em celulares;
mensagens SMS;
rádio;
televisão;
aplicativos oficiais;
alto-falantes;
autoridades locais;
serviços de proteção civil ou gestão de emergências.
Se houver sirenes, conheça seus diferentes sinais e como são realizados os testes periódicos.
Mantenha ativados os alertas de emergência do celular quando o sistema local permitir.
Tenha também um rádio portátil a pilhas ou de manivela, porque as redes de telefonia móvel, a eletricidade e a internet podem falhar ou ficar congestionadas.
1.7Preparar o plano familiar ou do lar
As famílias podem estar separadas quando ocorre uma emergência.
O plano deve estabelecer previamente:
Quem acompanha as crianças pequenas;

quem ajuda os idosos;

quem auxilia as pessoas com deficiência;

como os animais de estimação serão evacuados sem atrasar a saída;
qual é o ponto de encontro;

qual é a rota principal; qual é a rota alternativa;
quem é o contato externo de emergência; o que cada integrante fará se a família estiver separada.
Estabelecer um ponto de encontro seguro
Defina um local concreto fora da zona de ameaça, preferencialmente em uma zona alta e claramente identificável.
Todos devem conhecer o local.
Designar um contato externo
Selecione uma pessoa de confiança que more fora da zona potencialmente afetada.
Todos os integrantes devem conhecer:
- seu nome;
- seu número de telefone;
- meios alternativos para contatá-la.
Depois de uma emergência, as mensagens de texto podem ser mais eficazes do que as ligações quando as redes estão congestionadas.
As informações de contato também devem ser mantidas por escrito, pois depender apenas do celular pode ser um problema caso ele seja perdido, danificado ou fique sem bateria.
1.8Preparar a mochila de emergência
A mochila deve ficar em um local acessível e conhecido por todos, preferencialmente próximo à rota habitual de saída, mas sem obstruí-la.
Deve ser resistente, fácil de transportar e, quando possível, impermeável ou conter os itens sensíveis dentro de bolsas herméticas.
Inclua, de acordo com as necessidades de cada família:
- água potável;
- alimentos não perecíveis e de fácil consumo;
- abridor de latas manual, quando necessário;
- medicamentos pessoais essenciais;
- kit de primeiros socorros;
- lanterna;
- pilhas de reposição;
- rádio portátil a pilhas ou de manivela;
- apito;
- bateria externa carregada;
- cabos de carregamento;
- itens básicos de higiene;
- máscaras apropriadas para ambientes com poeira;
- luvas;
- manta térmica ou agasalho leve;
- dinheiro em espécie em notas de baixo valor;
- cópias protegidas de documentos importantes;
- lista escrita de telefones de emergência;
- chaves necessárias;
- itens específicos para crianças, idosos, pessoas com deficiência e animais de estimação.
Revise periodicamente:
- água;
- alimentos;
- medicamentos;
- datas de validade;
- estado das baterias;
- carga das baterias externas;
- mudanças em telefones, documentos e necessidades familiares.
1.9Preparação específica de crianças e adolescentes
As crianças e os adolescentes precisam compreender o perigo sem receber informações desnecessariamente alarmantes. A preparação deve gerar conhecimento, confiança e respostas simples.
Ensinar o que é um tsunami
Explique, com palavras adequadas à idade, que um tsunami pode se comportar como uma inundação extremamente rápida e poderosa e que não necessariamente se parece com uma única "onda gigante".
As crianças devem compreender especialmente que:

nunca devem se aproximar do mar para olhar;

nunca devem retornar para buscar brinquedos ou objetos;

nunca devem esperar por seus pais se estiverem sob a responsabilidade da escola ou de outro adulto;

devem seguir imediatamente as instruções do adulto responsável.
Familiarizar as crianças com os alarmes
Os sons intensos podem causar medo ou confusão. Durante exercícios e atividades educativas, permita que as crianças conheçam previamente, quando possível, os sons de:
sirenes;
alarmes;
alertas de celulares;
sistemas de alto-falantes.
Elas devem entender que um alerta significa agir, e não se esconder ou ficar paradas.

Preparar uma mochila infantil leve
As crianças que tiverem idade e capacidade suficientes podem ter uma mochila pequena e leve. Pode conter:

Cartão de identificação
O cartão deve ser protegido contra a água e incluir, conforme aplicável:
- nome completo;
- idade;
- nome e telefone dos pais, tutores ou responsáveis;
- contato externo de emergência;
- alergias importantes;
- medicamentos essenciais;
- informações médicas relevantes que possam ser necessárias para seu atendimento.
A inclusão do tipo sanguíneo pode ser feita se estiver devidamente documentada, mas não substitui os exames médicos necessários antes de uma transfusão.
Praticar a rota

A criança deve aprender progressivamente:

Qual é a direção segura;

onde fica o ponto de encontro;

a quais adultos deve obedecer;

o que fazer se seus pais não estiverem presentes.
Se os pais não estiverem presentes

Se a criança estiver na escola, creche, instituição, atividade esportiva ou sob a responsabilidade de outro adulto quando ocorrer a emergência:
- Deve permanecer com o grupo e obedecer ao adulto responsável.
- Não deve abandonar por conta própria uma zona segura para procurar os pais.
- Os pais devem conhecer previamente o plano de emergência da escola ou instituição, a zona para a qual os menores serão evacuados e o procedimento de reunificação familiar.
1.10Bebês e crianças pequenas
As famílias com bebês ou crianças que ainda não consigam se deslocar rapidamente devem planejar previamente seu sistema de transporte.

Pode ser necessário dispor de:
canguru ergonômico para bebê;
itens essenciais de alimentação;

fraldas;

lenços umedecidos;

troca de roupa;
medicamentos;

itens de agasalho.
1.11Simulações familiares
Pratique previamente a evacuação utilizando o sistema real que será empregado durante uma emergência. A preparação teórica não é suficiente.
Realize simulações periódicas a partir de:
Sua residência;
a escola, quando aplicável;
o local de trabalho;
outros lugares frequentados situados dentro de uma zona de ameaça.

O objetivo correto é alcançar a zona segura dentro do tempo de evacuação estabelecido para a localidade, com a maior margem possível.
As simulações devem contemplar cenários como:
- rota principal bloqueada;
- ausência de eletricidade;
- falta de comunicação;
- evacuação noturna;
- chuva;
- presença de crianças;
- assistência a uma pessoa com mobilidade reduzida;
- deslocamento de animais de estimação.
1.12Preparação de animais de estimação

Identificação
Os animais de estimação devem ter identificação atualizada.
Quando aplicável, utilize:
- coleira ou arnês com plaquinha;
- nome do responsável;
- telefone principal;
- telefone alternativo;
- microchip, se estiver disponível e for habitual na localidade.

Mantenha uma foto recente do animal e, preferencialmente, uma foto do animal junto com seu responsável.
Guarde cópias de:
- carteira de vacinação;
- tratamentos;
- medicamentos;
- informações veterinárias relevantes.
Kit para animal de estimação

Pode incluir:
alimento
água
recipiente dobrável
medicamentos
coleira
arnês

transportadora adequada

sacos para resíduos
itens básicos de higiene
manta pequena
cópia da documentação veterinária
As quantidades devem ser adaptadas ao tamanho, à espécie e às necessidades específicas do animal.
Treinamento
Acostume com antecedência os cães e outros animais, sempre que possível, a:
Utilizar arnês;
caminhar com coleira;
entrar rapidamente em uma transportadora;
permanecer dentro dela;
percorrer a rota de evacuação.
Os gatos e animais pequenos devem ser transportados em transportadoras adequadamente fechadas.
Refúgios e pontos de encontro

Verifique previamente quais zonas seguras, alojamentos ou abrigos aceitam animais e em quais condições.

Identifique alternativas.
1.13Pessoas com deficiência e pessoas que necessitam de assistência
A preparação deve ser inclusiva
Pessoas com deficiência, mobilidade reduzida, necessidades médicas, dificuldades cognitivas ou sensoriais devem participar, na medida de suas possibilidades, da elaboração de seu próprio plano.
Não se deve esperar uma emergência para decidir como elas serão evacuadas.

Criar uma rede pessoal de apoio

Identifique várias pessoas de confiança —familiares, vizinhos, colegas de trabalho ou integrantes da instituição— que conheçam: as necessidades da pessoa; seu endereço ou localização habitual; as rotas acessíveis; os dispositivos de assistência; os medicamentos essenciais; as técnicas apropriadas para prestar ajuda.
Evite que o plano dependa de uma única pessoa.
Quando apropriado e com consentimento, podem ser distribuídas cópias das chaves entre integrantes selecionados da rede.
Mochila especializada
Além dos itens gerais, pode ser necessário incluir:
Medicamentos essenciais em quantidade razoável, de acordo com as indicações médicas e as possibilidades de armazenamento;
cópia de receitas;
lista de medicamentos e doses;
informações médicas relevantes;
baterias para aparelhos auditivos;
baterias ou sistemas de alimentação para dispositivos de assistência;
carregadores;
itens de comunicação;
peças de reposição essenciais;
ferramentas específicas para determinados dispositivos.
Cartão de informações

Pode incluir:
- nome;
- contatos de emergência;
- tipo de assistência necessária;
- alergias;
- medicamentos;
- informações médicas essenciais;
- método preferido de comunicação;
- dispositivos de assistência utilizados.
Rotas acessíveis

Percorra previamente a rota de evacuação e identifique: escadas; rampas; desníveis; calçadas estreitas; terrenos irregulares; obstáculos; locais onde uma cadeira de rodas poderia ficar bloqueada; rotas alternativas.
Pessoas com deficiência auditiva
Planeje sistemas redundantes de alerta, como:
Alertas visuais,
vibração,
mensagens de texto,
dispositivos adaptados,
aviso direto de integrantes da rede de apoio.
Pessoas com deficiência visual

Quando aplicável, prepare:
bengala reserva;
itens de identificação;
dispositivos de assistência;
plano específico para cães de assistência.
Pessoas com deficiência intelectual, cognitiva ou pessoas neurodivergentes
Pratique progressivamente: o que significa o alerta; o que deve levar; com quem deve permanecer; para onde deve se dirigir; o que acontecerá ao chegar à zona segura.
Quando houver sensibilidade sensorial, inclua no kit os itens habitualmente utilizados para reduzir a sobrecarga sensorial, desde que não dificultem a evacuação.
1.14Preparação da residência
O principal objetivo de preparar a residência é reduzir lesões durante o terremoto que pode preceder o tsunami e diminuir os riscos secundários.
Conhecer os suprimentos
Todos os adultos responsáveis devem saber localizar, quando aplicável:
registro geral de gás
registro geral de água
quadro elétrico
Fixar objetos perigosos
Fixe adequadamente:
estantes;
prateleiras;
móveis altos;
televisores;
eletrodomésticos; objetos pesados;
tanques ou cilindros que necessitem de fixação; elementos que possam cair e bloquear uma saída.
Mantenha livres:
portas;
corredores;
escadas;
rotas de saída.
Armazenar com segurança objetos perigosos
Armazene combustíveis, tintas, pesticidas, produtos químicos e substâncias de limpeza de acordo com as normas de segurança correspondentes, em recipientes corretamente fechados e em locais apropriados.
Documentação
Proteja:
- documentos de identidade;
- apólices de seguro;
- títulos ou escrituras;
- certificados;
- documentação médica;
- informações bancárias essenciais;
- documentação de animais de estimação;
- telefones e contatos importantes.
Utilize recipientes resistentes à água e, quando possível, mantenha cópias digitais seguras.
1.15Preparação do veículo
O automóvel não deve constituir o elemento central do plano de evacuação diante de um tsunami local. Depois de um terremoto, utilizá-lo pode ser impossível ou perigoso e pode contribuir para bloquear as rotas.
Como preparação geral:
Mantenha o veículo em condições adequadas;
evite circular habitualmente com níveis mínimos de combustível;
conserve um mapa físico;
mantenha itens básicos de emergência;

conheça rotas alternativas.
A vida tem prioridade absoluta sobre o automóvel.
1.16Preparação em escolas, templos, clubes, associações e instituições

Deve determinar previamente:
- Quem declara ou inicia a evacuação;
- quem dirige cada grupo;
- quem verifica banheiros e áreas comuns, sempre que isso não atrase nem coloque em risco sua própria evacuação;
- quem leva o kit de primeiros socorros e os itens de emergência;
- quem auxilia pessoas com deficiência;
- quem acompanha crianças e idosos;
- qual é a rota principal;
- quais são as rotas alternativas;
- onde será realizado o controle das pessoas;
- como será feita a reunificação familiar;
- como será feita a comunicação com as autoridades.
As listas de presentes, quando necessárias, devem poder ser transportadas rapidamente e não devem se tornar motivo para atrasar a evacuação.
1.17Preparação de visitantes e pessoas que não conhecem a área

Por isso:
coloque mapas de evacuação em locais visíveis;
mantenha as saídas sinalizadas;

indique claramente a direção para a zona segura;
capacite a equipe;

inclua visitantes nas simulações quando possível;
considere instruções compreensíveis para pessoas que não falem o idioma local.
1.18Simulações institucionais e comunitárias
As simulações devem ser realizadas periodicamente e reproduzir, dentro de condições seguras, os problemas que poderiam ocorrer durante uma emergência.

Devem permitir verificar:
- tempo total de evacuação;
- funcionamento de alarmes;
- compreensão das instruções;
- capacidade das rotas;
- funcionamento das rotas alternativas;
- assistência a pessoas vulneráveis;
- organização dos grupos;
- procedimentos de controle;
- comunicação interna;
- funcionamento do ponto de encontro.
Depois de cada simulação, os problemas identificados devem ser corrigidos.
1.19Revisão periódica do plano

Revise o plano periodicamente e sempre que:
- mudar de residência;
- uma criança mudar de escola;
- mudar o local de trabalho;
- as rotas de evacuação forem modificadas;
- as autoridades publicarem novos mapas;
- novas estruturas forem construídas;
- as condições de mobilidade de um integrante mudarem;
- idosos, bebês ou animais de estimação forem incorporados;
- telefones ou contatos mudarem;
- falhas forem detectadas durante uma simulação.
1.20Preparação específica para idosos
Idosos podem precisar de mais tempo para se deslocar, utilizar medicamentos indispensáveis, depender de dispositivos de mobilidade ou necessitar de assistência para evacuar.
Essas necessidades devem ser contempladas antes que ocorra a emergência.
A idade, por si só, não implica incapacidade. O planejamento deve ser realizado de acordo com as condições e necessidades reais de cada pessoa.

Avaliar antecipadamente as necessidades
Determine se a pessoa:
- pode evacuar de maneira autônoma;
- precisa de bengala, andador, cadeira de rodas ou outro dispositivo;
- precisa de ajuda para caminhar;
- utiliza medicamentos essenciais;
- necessita de oxigênio ou outro equipamento médico;
- apresenta dificuldades visuais ou auditivas;
- consegue compreender e executar sozinha as instruções de evacuação;
- precisa de acompanhamento permanente;
- consegue percorrer a rota prevista dentro do tempo disponível.
Se precisar de assistência, identifique previamente quem serão os responsáveis por fornecê-la.
Criar uma rede de apoio
Não dependa exclusivamente de uma única pessoa. Sempre que possível, estabeleça uma rede formada por familiares, vizinhos, cuidadores ou pessoas de confiança que:
- conheçam o plano;
- saibam onde a pessoa mora;
- conheçam suas necessidades;
- saibam como ajudar;
- conheçam a rota de evacuação;
- saibam utilizar corretamente seus dispositivos de mobilidade.
Medicamentos
Mantenha a medicação habitual organizada e conserve uma lista atualizada que indique:
- nome de cada medicamento;
- doses;
- horários;
- indicações relevantes;
- alergias conhecidas;
- dados do médico ou serviço de saúde, quando aplicável.
Inclua no equipamento de emergência uma reserva razoável de medicamentos, sempre respeitando as orientações médicas, as condições de conservação e as datas de validade.

Dispositivos de mobilidade
Bengalas, andadores, cadeiras de rodas e outros itens indispensáveis devem ser mantidos em locais acessíveis.
Nunca devem ficar:
- atrás de móveis;
- armazenados em cômodos afastados;
- bloqueados por objetos;
- em locais difíceis de alcançar depois de um terremoto.
Sempre que possível, disponha de itens de reserva adequados para as necessidades da pessoa.
Praticar a evacuação real
Não calcule o tempo de evacuação supondo uma velocidade teórica.
Realize o percurso com o idoso e utilizando os dispositivos que realmente serão necessários.
Se o tempo necessário for excessivo, modifique:
- a rota;
- o ponto seguro escolhido;
- o sistema de assistência;
- a quantidade de pessoas designadas para ajudar;
- a estratégia de evacuação.
O plano deve se adaptar à pessoa, e não a pessoa ao plano.
1.21Pessoas com necessidades médicas especiais
Algumas pessoas podem depender de tratamentos, medicamentos, equipamentos elétricos ou dispositivos médicos cuja interrupção represente um risco. O planejamento deve contemplar expressamente essas circunstâncias.
Prepare, conforme aplicável:
- medicamentos;
- receitas;
- informações sobre doses;
- identificação de doenças ou condições relevantes para o atendimento de emergência;
- baterias;
- fontes alternativas apropriadas de alimentação elétrica;
- carregadores;
- insumos médicos;
- informações sobre o funcionamento dos equipamentos;
- telefones de profissionais ou centros médicos;
- instruções simples para terceiros que precisem prestar assistência.
Se um dispositivo requer eletricidade, consulte previamente o fabricante, fornecedor ou profissional competente sobre quais alternativas seguras existem diante de uma interrupção prolongada do fornecimento.
1.22Preparação para pessoas que estejam na costa por turismo ou atividades recreativas
Uma proporção importante das pessoas presentes em uma zona costeira pode não morar ali e, consequentemente, desconhecer completamente o risco.

Antes de visitar uma zona costeira suscetível a tsunami:
- verifique se existe ameaça de tsunami;
- observe a sinalização;
- identifique as rotas de evacuação;
- localize as zonas seguras;
- conheça os sistemas locais de alerta;
- identifique como deixar a costa a pé.
Especialmente para quem permanecer em:
- praias;
- acampamentos;
- hotéis;
- resorts;
- portos;
- marinas;
- áreas de pesca;
- calçadões à beira-mar;
- áreas recreativas próximas ao mar.
1.23Preparação durante a noite
Um tsunami pode ocorrer enquanto as pessoas dormem. Por isso, o plano também deve funcionar em condições de escuridão.
Mantenha junto à cama ou em um local imediatamente acessível:
O calçado é particularmente importante depois de um terremoto, pois pode haver vidros quebrados, escombros e objetos cortantes.
Todos os integrantes do lar devem conhecer a saída mesmo sem iluminação elétrica.
1.24Preparação em caso de chuva, frio ou condições meteorológicas adversas
A evacuação pode ocorrer sob chuva intensa, frio, vento, calor extremo ou outras condições adversas. A mochila deve ser adaptada ao clima da região.
Considere incluir:
- capa de chuva leve;
- agasalhos;
- manta térmica;
- gorro;
- protetor solar;
- água adicional quando houver risco de temperaturas elevadas.
1.25Preparação da comunicação de emergência
Informação escrita
Cada integrante capaz de utilizá-la deve ter um cartão com: telefones da família; contato externo; ponto de encontro; informações médicas essenciais, quando aplicável.
Não dependa exclusivamente dos contatos armazenados no celular.
02 · Baterias externas
Mantenha as baterias externas carregadas e verifique periodicamente seu funcionamento. Conserve os cabos necessários.
03 · Rádio
Tenha um rádio portátil alimentado por pilhas ou manivela. Depois de uma emergência, o rádio pode se tornar um dos meios mais importantes para receber informações oficiais.
Uso responsável do celular
Em uma emergência:
- priorize mensagens breves;
- evite comunicações desnecessárias;
- preserve a bateria;
- utilize os canais oficiais disponíveis;
- não compartilhe boatos nem informações de origem desconhecida.
1.26Preparação para a possível perda de eletricidade, água e serviços
Um tsunami pode afetar durante períodos prolongados:
- eletricidade;
- água potável;
- telecomunicações;
- transporte;
- serviços médicos;
- comércio;
- caixas eletrônicos;
- postos de combustível;
- sistemas de saneamento.

A preparação não deve se limitar exclusivamente ao tempo necessário para evacuar.
Cada lar também deve considerar como atender às necessidades essenciais durante as primeiras etapas após o desastre.
Mantenha suprimentos adequados de:
- água;
- alimentos não perecíveis;
- medicamentos;
- itens de higiene;
- iluminação;
- baterias;
- itens para crianças;
- suprimentos para animais de estimação;
- necessidades específicas de pessoas dependentes.
1.27Preparação de documentos e informações essenciais
Os documentos importantes devem ser protegidos antes da emergência. Prepare cópias físicas protegidas contra a água e, quando possível, cópias digitais seguras. Considere:
- documentos de identidade;
- passaportes;
- certidões de nascimento;
- documentação de propriedade;
- apólices de seguro;
- documentação médica;
- receitas;
- documentação de veículos;
- documentação de animais de estimação;
- telefones importantes.
1.28Planejamento econômico básico
Mantenha, dentro de suas possibilidades, uma pequena quantia de dinheiro em espécie destinada exclusivamente a emergências. Não é necessário transportar grandes quantias.
Depois de um desastre, podem ficar temporariamente fora de serviço:
- bancos;
- caixas eletrônicos;
- máquinas de cartão;
- redes de dados;
- sistemas eletrônicos de cobrança.
1.29O que não deve fazer parte do plano de evacuação
Uma preparação adequada também exige identificar comportamentos que devem ser evitados.
Não planeje:
- voltar para buscar pertences;
- esperar familiares antes de evacuar;
- ir à praia para observar;
- depender exclusivamente de um automóvel;
- esperar necessariamente uma sirene;
- esperar necessariamente uma mensagem telefônica;
- utilizar elevadores como elemento essencial de uma evacuação vertical;
- parar para fotografar ou filmar;
- voltar para buscar animais de estimação se isso implicar permanecer em perigo;
- transportar objetos pesados;
- utilizar rotas que nunca tenham sido verificadas;
- improvisar o ponto de encontro durante a emergência.
1.30Coordenação com escolas e centros educacionais
Os pais ou responsáveis devem conhecer previamente o plano de emergência da instituição de ensino.
Verifique:
- para onde os alunos serão evacuados;
- quem ficará responsável;
- qual será o ponto de encontro;
- como será realizado o controle das pessoas;
- como a instituição se comunicará;
- onde e quando as famílias poderão se reunir posteriormente;
- qual será o procedimento se as comunicações não funcionarem.
Deve-se ensinar às crianças uma regra fundamental: se ocorrer uma emergência enquanto estiverem na escola, devem permanecer com seus professores ou responsáveis e seguir o plano da instituição.
Os pais também não devem se expor entrando novamente em uma zona ameaçada para tentar chegar à escola quando os alunos já estiverem sendo evacuados para um local seguro.

1.31Responsabilidades de instituições, templos, clubes e organizações
As instituições que recebem público têm uma responsabilidade especial de preparação. O plano deve considerar a quantidade e as características das pessoas que possam estar presentes.
Não é igual evacuar:
- um escritório com poucos adultos;
- uma igreja ou templo durante uma celebração;
- um clube durante uma atividade infantil;
- uma instituição com idosos;
- um centro educacional;
- um estabelecimento com pessoas com deficiência;
- um evento com grande quantidade de visitantes.
Designar funções
As responsabilidades devem ser estabelecidas previamente. Por exemplo:
- responsável geral pela evacuação;
- responsáveis pelos setores;
- responsáveis pelos grupos de crianças;
- responsáveis pela assistência a pessoas com deficiência;
- responsável pelo kit de primeiros socorros;
- responsável pelas comunicações;
- responsável pela contagem de pessoas na zona segura.
Manter as saídas desobstruídas
As rotas de evacuação nunca devem ser utilizadas para armazenar:
- caixas;
- móveis;
- equipamentos;
- materiais;
- mercadorias;
- equipamentos esportivos;
- objetos religiosos ou cerimoniais;
- cadeiras adicionais;
- resíduos;
- veículos;
- qualquer item que possa dificultar a circulação.
Sinalização
As rotas devem estar claramente identificadas. Quando aplicável, coloque:
Mapas de evacuação.
Setas.
Indicações de saída.
Localização do ponto de encontro.
Instruções breves e fáceis de compreender.
1.32Equipamento institucional de emergência
Cada instituição deve adaptar seus recursos ao número de pessoas, às características do estabelecimento e aos riscos locais.
Considere dispor de:
- kits de primeiros socorros;
- lanternas, preferencialmente algumas do tipo frontal;
- pilhas de reposição;
- rádio portátil AM/FM a pilhas ou de manivela;
- apitos;
- baterias externas carregadas;
- cabos de carregamento;
- máscaras apropriadas para ambientes com poeira;
- itens básicos de higiene;
- água de emergência;
- mantas térmicas;
- sacos resistentes;
- cópias protegidas de informações institucionais essenciais;
- listas e telefones de emergência;
- luvas;
- itens específicos necessários de acordo com as atividades da instituição.

1.33Depois da simulação: avaliar e corrigir
Toda simulação deve terminar com uma avaliação.
Pergunte:
- Todos reconheceram o alarme?
- Todos sabiam o que fazer?
- A evacuação começou rapidamente?
- Houve pessoas que voltaram para buscar objetos?
- Alguma saída ficou congestionada?
- A rota foi adequada?
- Surgiram obstáculos?
- As pessoas com deficiência conseguiram evacuar?
- As crianças seguiram as instruções?
- O sistema de comunicação funcionou?
- Foi possível realizar a contagem das pessoas?
- O ponto seguro tinha capacidade suficiente?
- O que aconteceria se a rota utilizada estivesse bloqueada?
1.34Lista de verificação: antes de um tsunami
Toda família ou instituição localizada em uma zona de ameaça deve ser capaz de responder Sim às seguintes perguntas:
- Sabemos se estamos dentro de uma zona suscetível a tsunami?
- Conhecemos o mapa oficial de evacuação?
- Sabemos onde começa a zona segura?
- Conhecemos nossa rota principal?
- Temos uma rota alternativa?
- Percorremos essas rotas a pé?
- Sabemos quanto tempo precisamos para evacuar?
- Reconhecemos os sinais naturais de tsunami?
- Conhecemos os alertas oficiais de nossa localidade?
- Sabemos o que fazer se não recebermos nenhum alerta tecnológico?
- Temos um ponto de encontro familiar?
- Temos um contato externo?
- As crianças conhecem o plano?
- Sabemos o que cada criança fará se seus pais não estiverem presentes?
- Os idosos têm assistência planejada?
- As pessoas com deficiência têm um plano acessível?
- Os medicamentos essenciais estão preparados?
- Os dispositivos de assistência estão acessíveis?
- Os animais de estimação têm identificação e sistema de transporte?
- Temos a mochila de emergência preparada?
- Revisamos seu conteúdo periodicamente?
- Temos lanterna e rádio independentes da rede elétrica?
- Temos as informações de contato também em papel?
- As saídas estão permanentemente desobstruídas?
- Os móveis e objetos pesados estão fixados?
- Sabemos como evacuar durante a noite?
- Realizamos simulações?
- Sabemos o que fazer se a rota principal estiver bloqueada?
- Todos compreendem que não devem voltar para buscar bens materiais?
- Todos sabem que um sinal natural pode exigir evacuação sem esperar instruções adicionais?
1.35Regra de decisão
Diante de um tsunami de origem próxima, pode não haver tempo suficiente para receber, verificar ou esperar informações adicionais. Por isso, uma regra simples deve ser aprendida antes da emergência:

1.36Regras fundamentais que todos devem memorizar
CONHEÇA SUA ZONA DE RISCO.
Saiba antes da emergência se mora, trabalha, estuda ou permanece dentro de uma zona suscetível a tsunami.
CONHEÇA SUA ROTA.
Saiba como chegar a pé a uma zona segura e tenha uma alternativa.
RECONHEÇA OS SINAIS NATURAIS.
Terremoto forte ou prolongado, mudança repentina e anormal do mar ou ruído estranho vindo do oceano podem significar perigo.
DIANTE DE UM SINAL NATURAL, NÃO ESPERE UM ALERTA OFICIAL.
Quando puder se deslocar com segurança depois do terremoto, evacue.
AFASTE-SE DO MAR.
Dirija-se para um terreno elevado ou para o mais longe possível (no sentido do interior) conforme indicado nos planos locais.
NÃO VÁ OBSERVAR O TSUNAMI.
Não se aproxime de praias, portos, fozes de rios, rios ou zonas costeiras para olhar, fotografar ou filmar.
PLANEJE EVACUAR A PÉ.
O automóvel pode ficar preso e bloquear a evacuação.
PREPARE TODA A FAMÍLIA.
Crianças, idosos, pessoas com deficiência e responsáveis por animais de estimação devem conhecer o plano.
PRATIQUE.
Uma rota conhecida e ensaiada é percorrida com maior rapidez e segurança.
NÃO ARRISQUE A VIDA POR BENS MATERIAIS.
Não volte para buscar documentos, dinheiro, veículos ou objetos.
SIGA AS INDICAÇÕES DAS AUTORIDADES.
Os mapas, rotas, zonas de evacuação e procedimentos oficiais de cada localidade têm prioridade sobre as recomendações gerais.
LEMBRE-SE: SE PLANEJAR, ECONOMIZA MINUTOS QUANDO CADA MINUTO PODE SALVAR UMA VIDA.
1.37Objetivo principal da preparação
A preparação para um tsunami não consiste apenas em ter uma mochila. Quando começa uma emergência, não é momento de elaborar o plano: é momento de executá-lo. Por isso, a preparação deve ser feita agora, revisada periodicamente e praticada até que cada integrante da família, instituição ou comunidade conheça claramente sua função.

- ANTES DO TSUNAMI: CONHECER, PLANEJAR, PREPARAR E PRATICAR.
- DURANTE A AMEAÇA: AGIR SEM DEMORA.
- A PRIORIDADE É SEMPRE A VIDA.
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