FASE 1: ANTES DO TERREMOTO
PREVENÇÃO, MITIGAÇÃO E PLANEJAMENTO INSTITUCIONAL
A preparação é fundamental para reduzir lesões, evitar situações de pânico e permitir uma resposta organizada.
Quando um terremoto ocorre durante uma atividade com muitas pessoas, uma reação desordenada pode gerar riscos adicionais. Tentar evacuar precipitadamente enquanto continua o tremor pode provocar quedas, empurrões, aglomerações e bloqueio das saídas.
Por isso, toda instituição deve se preparar considerando uma situação especialmente exigente:
O que aconteceria se o terremoto começasse neste momento, com o estabelecimento cheio e uma atividade em pleno desenvolvimento?
O planejamento deve ser feito pensando nessa situação e não somente nos momentos em que o estabelecimento estiver vazio ou com poucas pessoas.
1.1Avaliação prévia do estabelecimento
Identificação de riscos interiores
As autoridades da instituição devem inspecionar periodicamente suas instalações e identificar elementos que possam oferecer riscos durante um terremoto. Preste especial atenção a:
- armários
- bibliotecas
- vitrines e estantes altas
- equipamentos eletrônicos e telas
- televisores e monitores
- equipamentos de som
- caixas de som suspensas
- projetores
- lâmpadas e lustres
- ventiladores de teto
- quadros
- imagens
- espelhos
- esculturas e objetos decorativos pesados
- grandes superfícies envidraçadas
- tetos falsos e forros suspensos
- cartazes
- elementos instalados sobre palcos
- equipamentos esportivos
- depósitos elevados
- objetos armazenados no alto
- mobília que possa se deslocar ou tombar
- objetos religiosos ou cerimoniais pesados
- estruturas temporárias utilizadas durante atividades ou celebrações
Alguns dos elementos suspensos que devem estar corretamente instalados e fixados:
Deve-se prestar especial atenção aos elementos localizados sobre locais onde habitualmente permanecem concentradas muitas pessoas, como bancos de igrejas, auditórios, salões de reunião, refeitórios, arquibancadas, salas de aula, ginásios, palcos e espaços infantis.
Vidros e superfícies transparentes
Quando for apropriado, podem ser utilizadas películas de segurança ou outros sistemas adequados que ajudem a reduzir a dispersão de fragmentos em caso de quebra.
A instituição deve identificar previamente:
Sempre que a estrutura do estabelecimento permitir, evite estabelecer locais de permanência prolongada ou concentração de pessoas junto a grandes superfícies envidraçadas.
Saídas, circulação e espaços de reunião
Manter sempre livres as rotas de saída.
Passagens
Corredores
Escadas
Portas
Saídas
As rotas de evacuação não devem ser utilizadas para armazenar: caixas, móveis, equipamentos, materiais, mercadorias, elementos esportivos, objetos religiosos ou cerimoniais, cadeiras adicionais, resíduos, veículos e qualquer outro elemento que possa dificultar a circulação.
Uma saída existente, mas bloqueada ou de difícil acesso, pode se tornar inútil durante uma emergência.
Portas e chaves
As pessoas responsáveis devem conhecer o funcionamento das portas e saídas do estabelecimento.
Quando uma saída exigir chave, esta deve ser guardada em um local imediatamente acessível e conhecido pelos responsáveis, sem depender de uma única pessoa para localizá-la.
A instituição deve garantir que haja mais de uma pessoa capacitada para abrir cada saída.
Sempre deverão ser respeitadas as normas locais aplicáveis às portas, saídas de emergência e sistemas de abertura.
Sinalização
- As rotas e as saídas devem estar claramente identificadas, de acordo com a regulamentação aplicável.
- A sinalização também deve ser facilmente reconhecida por pessoas que visitam o estabelecimento pela primeira vez.
- Quando aplicável, a instituição deve dispor de iluminação de emergência que permita a orientação em caso de interrupção do fornecimento de energia elétrica.
1.2Identificação de riscos externos
O planejamento não deve terminar na porta do estabelecimento.
Antes de definir onde as pessoas serão reunidas depois de um terremoto, devem ser avaliados os perigos existentes na área externa.
Identifique
Não se deve escolher automaticamente a calçada em frente ao estabelecimento como ponto de encontro.
Depois de um terremoto, podem cair vidros, revestimentos, alvenaria, placas, marquises ou outros elementos das fachadas.
A instituição deve identificar previamente um ou mais espaços abertos e desimpedidos, que possam ser utilizados como pontos de encontro quando for necessário evacuar.
1.3Plano institucional de ação
Toda instituição que reúna regularmente pessoas deve estabelecer previamente uma organização básica para emergências. O plano deve ser:
Simples
Conhecido
Praticável
Autoridade responsável
Deve ser determinado previamente quem assumirá a coordenação geral diante de uma emergência.
Também deve existir pelo menos um substituto, porque não se pode presumir que a autoridade máxima da instituição estará presente quando ocorrer um terremoto.
Por exemplo, dependendo da instituição, esta função poderia corresponder a:
- um responsável institucional
- o administrador
- o coordenador
- o encarregado do estabelecimento
- o responsável pela segurança
- a autoridade religiosa
- o responsável da atividade
- o treinador ou coordenador esportivo
O importante não é o cargo, e sim que todos saibam previamente quem coordena a resposta quando ocorrer uma emergência.
1.4Atribuição prévia de responsabilidades
Toda instituição que reúna regularmente pessoas deve estabelecer previamente uma organização básica para emergências.
Coordenação geral
Será responsável por:
- avaliar a situação assim que o tremor terminar;
- determinar as ações previstas;
- decidir quando evacuar, conforme necessário;
- manter a coordenação entre os responsáveis.
Responsáveis pelos setores
- Em estabelecimentos grandes, podem ser designados responsáveis para diferentes áreas, salões, andares ou setores.
- Sua função será orientar as pessoas que estiverem em sua área e transmitir as instruções estabelecidas.
Responsável pela evacuação
Assim que o tremor terminar, e caso seja necessário evacuar, ajudará a orientar uma saída ordenada utilizando as rotas previstas que continuem sendo seguras.
Responsável pelas instalações
Depois do terremoto e somente quando for seguro fazê-lo, verificará as respectivas instalações. Deve conhecer previamente:
Não deve se deslocar durante o terremoto para fechar o gás, desligar a energia elétrica ou realizar essas verificações.
Responsáveis pelos primeiros socorros
A instituição deve garantir que algumas pessoas tenham capacitação formal em primeiros socorros e reanimação cardiopulmonar. Os responsáveis devem saber a localização do kit de primeiros socorros e dos materiais de emergência disponíveis.
Responsáveis por pessoas que necessitam de assistência
Deve ser previsto quem ajudará:
- crianças pequenas
- idosos
- pessoas com mobilidade reduzida
- pessoas com deficiência
- pessoas lesionadas
- qualquer pessoa que necessite de apoio para se proteger ou evacuar
Responsável pelas comunicações
- comunicações internas
- contato com serviços de emergência
- comunicação de informações aos familiares, quando aplicável
- recepção e comunicação de instruções oficiais
1.5Evitar a dependência de uma única pessoa
Uma instituição não deve elaborar sua resposta supondo que determinadas pessoas estarão necessariamente presentes.
As funções essenciais devem contar com substitutos.
As chaves, os kits de primeiros socorros, os equipamentos de comunicação, os recursos de emergência e os acessos às instalações essenciais devem estar em locais conhecidos por mais de uma pessoa autorizada.
O conhecimento do plano institucional deve ser compartilhado.
1.6Planejamento de acordo com a ocupação do estabelecimento
A preparação deve considerar a lotação máxima razoavelmente previsível, e não apenas a quantidade habitual de funcionários ou colaboradores.
Uma igreja pode ter poucas pessoas durante grande parte da semana e centenas durante uma celebração.
Um clube pode estar praticamente vazio em determinados horários e, durante uma competição, estar cheio de crianças, famílias e atletas.
Um centro comunitário pode ter sua ocupação multiplicada durante determinadas atividades.
Por isso, a instituição deve se perguntar
- Quantas pessoas podem estar simultaneamente no estabelecimento?
- Onde elas se concentram?
- O que aconteceria se o terremoto começasse durante a atividade de maior lotação?
- Quem ficaria responsável?
- Como as instruções seriam transmitidas?
- Existem rotas de circulação suficientes?
- Quais setores apresentam maiores riscos?
- Onde as pessoas se protegeriam?
- Como uma evacuação seria organizada posteriormente?
- Onde as pessoas se reuniriam?
- Como seria verificado que nenhum setor ficou sem ser vistoriado quando for seguro fazê-lo?
1.7Pessoas que não conhecem as instalações
Uma característica importante nas igrejas, clubes, associações e centros comunitários é que muitas das pessoas presentes podem ser visitantes. Não se deve presumir que conhecem:
Por isso, durante uma emergência, os funcionários, autoridades, voluntários e colaboradores identificados devem assumir uma função ativa de orientação.
As instruções devem ser breves, claras e uniformes.
1.8Sistemas para dar instruções
Quando o estabelecimento disponha de:
- megafones,
- sistema de som,
- alto-falantes,
- rádios de comunicação interna,
- outros sistemas de comunicação,
deve-se estabelecer previamente quem poderá utilizá-los e quais instruções básicas deverão ser transmitidas.
Deve-se considerar que, durante um terremoto, pode ocorrer uma queda de energia.
Por isso, o plano não deve depender exclusivamente de sistemas eletrônicos. Os responsáveis devem estar preparados para transmitir as instruções verbalmente, quando necessário.
Ordens contraditórias devem ser evitadas.
1.9Preparação para crianças
As instituições que recebem crianças necessitam de um planejamento específico.
Não se deve presumir que, durante uma emergência, as crianças agirão da mesma maneira que os adultos.
Treinadores, docentes, coordenadores, catequistas, responsáveis de grupos infantis, voluntários e demais adultos encarregados devem saber previamente como agir.
Deve ser estabelecido:
- quem permanecerá com cada grupo;
- quem prestará assistência às crianças que necessitarem;
- como será realizada a evacuação posteriormente;
- onde cada grupo se reunirá;
- como será verificada a presença das crianças;
- como será realizada posteriormente a entrega das crianças aos pais, mães, tutores ou responsáveis, quando for o caso.
Princípio fundamental
Durante o tremor, a prioridade é proteger as crianças onde se encontram e evitar que corram desordenadamente em direção às saídas.
Uma evacuação precipitada, enquanto o solo ainda treme, pode expor as crianças a quedas, cacos de vidro, queda de objetos e aglomerações.
1.10Pessoas com deficiência e outras necessidades de assistência
A instituição deve considerar previamente a presença de pessoas que possam necessitar de assistência adicional.
As rotas utilizadas por pessoas com cadeira de rodas, andadores, bengalas ou outros dispositivos de mobilidade devem ser mantidas desimpedidas.
Quando aplicável, deve ser considerado:
- mobilidade reduzida,
- deficiência visual,
- deficiência auditiva,
- deficiência intelectual ou cognitiva,
- pessoas neurodivergentes,
- idosos,
- pessoas que necessitem de assistência permanente ou temporária.
O planejamento deve favorecer a autonomia e evitar separar desnecessariamente uma pessoa de seus dispositivos de assistência.
Para pessoas que utilizam cadeira de rodas, durante o tremor pode-se aplicar:
Trave
Proteja-se
Segure-se
Ative os freios.
Proteja a cabeça e o pescoço.
Incline-se quando for possível.
Segure-se até que termine o tremor.
Quando houver sistemas de alerta visuais, luminosos ou vibratórios, eles devem permanecer em funcionamento.
1.11Equipamentos e reservas institucionais de emergência
Uma instituição com um grande número de pessoas não deve depender unicamente dos pertences pessoais de quem estiver presente.
Conforme suas dimensões, características e atividades, deve manter elementos básicos de emergência em locais acessíveis e conhecidos pelos responsáveis.
Entre eles, podem ser incluídos:
- kits de primeiros socorros,
- lanternas (preferencialmente algumas do tipo frontal),
- pilhas de reposição,
- rádio portátil AM/FM a pilha ou com manivela,
- apitos,
- baterias externas carregadas,
- cabos de carga,
- máscaras apropriadas para ambientes com poeira,
- luvas,
- elementos básicos de higiene,
- água de emergência,
- mantas térmicas,
- sacos resistentes,
- cópias protegidas de informações institucionais essenciais,
- listas e telefones de emergência,
- elementos específicos necessários conforme as atividades da instituição.
Estes elementos devem ser revisados periodicamente.
Os medicamentos, alimentos, pilhas e demais produtos com prazo de validade vencido devem ser controlados e substituídos quando for o caso.
1.12Primeiros socorros
A instituição deve dispor de kits de primeiros socorros adequados às suas características e à quantidade habitual de pessoas.
Os kits de primeiros socorros devem:
- estar claramente identificados,
- estar em locais acessíveis,
- estar completos,
- ser revisados periodicamente,
- ser conhecidos pelos responsáveis.
É recomendável que integrantes da instituição recebam capacitação formal em:
- primeiros socorros,
- reanimação cardiopulmonar,
- resposta básica a emergências.
A existência de um kit de primeiros socorros não substitui a capacitação.
1.13Gás, eletricidade e água
Gás
As pessoas responsáveis devem conhecer a localização da válvula principal de fornecimento.
O acesso deve ser mantido desobstruído.
Os aparelhos devem estar corretamente instalados e fixados, e as conexões devem ser adequadas.
Durante o terremoto, ninguém deve se deslocar pelas instalações para tentar fechar o gás.
Uma vez finalizado o tremor, e somente se for seguro fazê-lo, as instalações deverão ser verificadas. Se houver indícios de vazamento, o fornecimento deverá ser interrompido seguindo o procedimento correspondente.
Energia elétrica
O quadro geral deve ser identificado e seus disjuntores devem ser devidamente sinalizados.
As pessoas responsáveis devem conhecer o procedimento para interromper o fornecimento.
Depois do terremoto, se houver danos elétricos e for possível fazê-lo com segurança, a energia deverá ser desligada.
Água
A localização do registro geral deve ser conhecida e seu acesso mantido livre.
Depois de um terremoto, devem ser seguidas as orientações das autoridades competentes quanto à segurança do fornecimento de água.
1.14Simulações e capacitação
O plano institucional deve ser praticado. As simulações permitem detectar problemas que podem passar despercebidos no papel.
Devem ser praticadas diferentes situações; por exemplo:
- terremoto com grande número de pessoas;
- atividade com crianças;
- queda de energia;
- saída habitual bloqueada;
- presença de uma pessoa com mobilidade reduzida;
- impossibilidade de utilizar um determinado setor;
- necessidade de utilizar uma rota alternativa.
As simulações devem servir também para verificar:
- se as responsabilidades estão claras;
- se as rotas permanecem desimpedidas;
- se as pessoas responsáveis conhecem suas funções;
- se os sistemas de comunicação funcionam;
- se os pontos de encontro são adequados;
- se existem problemas de acessibilidade;
- se o procedimento pode gerar aglomerações.
O objetivo da simulação não é realizá-la rapidamente, e sim aprender a agir corretamente e detectar falhas antes de uma emergência real.
Fase 2: Durante o terremoto
2.1Princípio fundamental
Quando começa o tremor, a prioridade imediata é proteger as pessoas de quedas e de objetos que possam se desprender, deslocar ou quebrar. Em termos gerais:
Os batentes das portas não são automaticamente locais seguros. Em casas antigas, os batentes podiam ser a única coisa que permanecia em pé devido à solidez da sua construção, mas nas construções modernas eles não são estruturalmente fortes.
2.2Não determinar uma evacuação em massa enquanto estiver tremendo
Este princípio deve ser conhecido por todas as autoridades e responsáveis da instituição.
Em um estabelecimento ocupado por muitas pessoas, tentar evacuar simultaneamente durante o terremoto pode gerar:
- empurrões,
- quedas,
- pessoas sendo pisoteadas,
- bloqueio de portas,
- aglomerações,
- exposição a cacos de vidro,
- exposição a objetos em queda,
- perda de controle de crianças,
- separação de grupos,
- lesões adicionais.
A instrução geral deve ser:
PROTEJA-SE PRIMEIRO.
EVACUE DEPOIS DO TREMOR QUANDO FOR NECESSÁRIO E SEGURO FAZÊ-LO.
2.3Conduta dos responsáveis durante o tremor
As autoridades, responsáveis, colaboradores e funcionários devem procurar manter instruções simples e coerentes. Quando as circunstâncias o permitam, devem indicar:
"Abaixem-se, protejam-se, segurem-se".
"Protejam a cabeça e o pescoço".
"Afastem-se dos vidros".
"Não corram em direção às saídas".
Durante o terremoto:
- não utilize elevadores;
- não corra em direção às escadas;
- não se desloque desnecessariamente;
- mantenha-se afastado de janelas e vidros;
- proteja-se de objetos que possam cair;
- não tente fechar o gás;
- não tente desligar a energia elétrica;
- não abandone desnecessariamente crianças ou pessoas que dependam da sua assistência para tentar realizar outras tarefas.
2.4Pessoas em espaços sem mesas ou escrivaninhas
Em igrejas, templos, ginásios, salões, auditórios e outros espaços amplos, pode não ter mesas resistentes disponíveis.
Nesses casos
- abaixe-se para evitar ser derrubado;
- proteja a cabeça e o pescoço com os braços;
- mantenha-se afastado de janelas;
- afaste-se, quando puder fazê-lo sem se expor a riscos maiores, de elementos que possam cair;
- permaneça protegido até que o tremor termine.
Não corra atravessando o salão buscando uma saída enquanto o terremoto continua.
2.5Pessoas ao ar livre
Quem já estiver ao ar livre deve permanecer ou deslocar-se, quando puder fazê-lo de maneira segura, para um espaço aberto e livre de obstáculos.
Mantenha-se afastado de:
- edifícios,
- fachadas,
- beirais,
- muros,
- vidros,
- postes,
- cabos elétricos,
- árvores,
- placas,
- antenas,
- estruturas,
- objetos que possam cair.
Fase 3: Depois do terremoto
3.1Não se precipitar imediatamente
Quando o tremor terminar, os responsáveis devem avaliar rapidamente as condições.
Pode haver:
- objetos caídos,
- vidros quebrados,
- cabos elétricos,
- danos estruturais,
- incêndios,
- vazamento de gás,
- pessoas lesionadas,
- saídas bloqueadas,
- réplicas.
3.2Avaliar a necessidade de evacuar
A evacuação pode ser necessária diante de:
- danos visíveis;
- incêndio;
- cheiro ou indícios de vazamento de gás;
- risco elétrico;
- queda ou instabilidade de elementos;
- instruções das autoridades;
- qualquer outra condição que torne inseguro permanecer no estabelecimento.
3.3Evacuação determinada
Quando for determinada a evacuação:
- transmita instruções claras;
- evite gritos desnecessários;
- não permita correria;
- evite empurrões;
- mantenha os grupos de crianças unidos;
- auxilie quem precisar de ajuda;
- utilize as rotas seguras previstas;
- conduza as pessoas para o ponto de encontro estabelecido;
- mantenha-as afastadas de fachadas e outros perigos.
As pessoas não devem parar imediatamente em frente às portas de saída, pois podem bloquear a evacuação de quem vem atrás.
3.4Crianças depois do terremoto
As crianças devem permanecer sob supervisão. Quando existirem grupos previamente organizados, cada responsável deve manter seu grupo unido durante a evacuação e no ponto de encontro.
Deve-se verificar a presença das crianças de acordo com os registros disponíveis. Não permitir que as crianças retornem sozinhas às instalações para buscar mochilas, telefones, brinquedos, roupas ou outros objetos.
Quando for necessário entregá-las posteriormente aos familiares ou responsáveis, a instituição deve fazê-lo por meio de um procedimento organizado, evitando perdas de controle ou confusão.
3.5Ponto de encontro
Uma vez evacuadas, as pessoas devem se dirigir ao ponto de encontro previamente estabelecido.
O local deve estar, na medida do possível:
- afastado de construções;
- afastado de fachadas;
- afastado de muros;
- afastado de postes e cabos;
- afastado de árvores ou objetos que possam cair;
- fora das rotas necessárias para veículos de emergência.
Pode-se estabelecer também um ponto de encontro alternativo para ser utilizado quando o local principal estiver inseguro ou inacessível.
3.6Controle de pessoas
Quando a natureza da atividade permitir saber quem estava presente (por exemplo, grupos infantis, equipes esportivas, funcionários, voluntários, residentes ou participantes registrados), deve-se realizar uma verificação no ponto de encontro.
Cada responsável deve informar imediatamente caso alguma pessoa esteja faltando.
No entanto: ninguém deve retornar por iniciativa própria às instalações potencialmente perigosas para procurar uma pessoa desaparecida. A informação sobre esses casos deve ser comunicada aos serviços de emergência.
3.7Pessoas feridas
As pessoas com capacitação em primeiros socorros poderão prestar assistência dentro dos limites de sua formação e desde que as condições sejam seguras.
Deve-se priorizar a solicitação de assistência profissional quando for necessária.
Pessoas gravemente feridas não devem ser movimentadas desnecessariamente, exceto quando permanecer no local representar um risco imediato maior.
3.8Incêndios, gás e energia elétrica
Depois do tremor, fique atento a:
- cheiro de gás,
- fumaça,
- fogo,
- faíscas,
- cabos caídos,
- equipamentos elétricos danificados,
- sons anormais vindos das instalações.
3.9Réplicas
Se começar um novo tremor:
ABAIXE-SE – PROTEJA-SE – SEGURE-SE
Não deixe que a ocorrência de um primeiro terremoto passe a falsa impressão de que o perigo acabou.
3.10Não retornar automaticamente
Depois de evacuar um estabelecimento, o retorno não deve ser autorizado simplesmente porque o tremor terminou. Se houver danos, dúvidas sobre a segurança das instalações ou instruções das autoridades, as pessoas devem permanecer do lado de fora.
Não permita que membros, participantes, crianças, voluntários ou funcionários entrem novamente apenas para recuperar:
- telefones,
- bolsas,
- documentos,
- roupas,
- veículos,
- objetos pessoais.
A segurança das pessoas tem prioridade sobre os bens materiais.
3.11Comunicação depois do terremoto
As comunicações devem ser utilizadas de forma responsável. Quando as redes estiverem congestionadas, mensagens de texto breves podem ser mais práticas do que chamadas longas.
A instituição deve procurar:
- obter informações de fontes oficiais;
- evitar difundir boatos;
- comunicar instruções verificadas;
- informar claramente onde se encontram as pessoas evacuadas quando necessário;
- manter disponíveis os meios de comunicação para situações necessárias.
3.12Coordenação com os serviços de emergência
Quando bombeiros, serviços médicos, forças de segurança, defesa civil ou outras autoridades competentes estiverem atuando, a instituição deve facilitar seu trabalho.
O responsável institucional deve estar preparado para informar, quando possível:
- o que ocorreu;
- quantidade aproximada de pessoas presentes;
- existência de pessoas feridas;
- existência de pessoas possivelmente desaparecidas;
- local onde foram vistas pela última vez;
- presença de crianças ou pessoas que necessitam de assistência;
- possíveis vazamentos de gás;
- riscos elétricos;
- incêndios;
- áreas danificadas;
- substâncias perigosas existentes no estabelecimento.
Quando as autoridades competentes assumirem o controle da situação, suas orientações devem ser seguidas.
3.13Revisão posterior do plano
Depois de um terremoto, simulação ou situação de emergência, a instituição deve revisar a sua atuação.
Questione-se
- As pessoas souberam o que fazer?
- Os responsáveis conheciam suas funções?
- As instruções foram claras?
- Houve tentativas de correr em direção às saídas?
- Ocorreram aglomerações?
- Alguma saída estava bloqueada?
- A iluminação de emergência funcionou?
- Foi possível auxiliar adequadamente crianças e pessoas com deficiência?
- As comunicações funcionaram?
- O ponto de encontro foi adequado?
- Os kits de primeiros socorros e equipamentos estavam disponíveis?
- Existiram perigos que não haviam sido identificados previamente?
Um plano de emergência deve ser considerado um procedimento sujeito a revisão e melhoria contínua.
Lembre-se
A preparação institucional começa ANTES do terremoto.
Uma igreja, templo, clube, associação, fundação, centro comunitário ou organização que recebe pessoas tem uma responsabilidade especial: preparar-se não somente para proteger as instalações, mas para organizar e orientar quem estiver dentro quando o tremor começar.
- Fixe os objetos que possam cair.
- Mantenha desobstruídas as rotas e saídas.
- Identifique os riscos internos e externos.
- Determine responsáveis e substitutos.
- Prepare kits de primeiros socorros e itens de emergência.
- Considere especialmente crianças, idosos, pessoas com deficiência e quem precise de assistência.
- Estabeleça pontos de encontro.
- Capacite responsáveis, funcionários e voluntários.
- Realize simulações.
E, principalmente, todos os responsáveis devem conhecer e transmitir uma conduta simples quando o tremor começar:
Abaixe-se – Proteja-se – Segure-se
- Não provoque uma evacuação massiva enquanto estiver tremendo.
- Proteja-se primeiro.
- Uma vez terminado o tremor, avalie a situação e evacue de maneira organizada quando for necessário e seguro fazê-lo.
- Uma instituição preparada pode reduzir o risco, evitar a desordem e proteger melhor as pessoas que estão sob seus cuidados.
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